Modelos Inteligentes x Desenhos e Documentos

Modelos inteligentes

Com o avanço da tecnologia, muitas coisas mudaram na maneira de se fazer engenharia. Surgiram os modelos inteligentes e com eles uma série de possibilidades. Quando utilizamos essa nova tecnologia, deparamos com um problema: Modelos Inteligentes x Desenhos e Documentos. Como trabalhar com estes recursos e tirar o melhor proveito deles? É sobre isso que iremos tratar a partir de agora.

O que muda na maneira que estamos acostumados a fazer projeto?

Durante anos, a engenharia convencional vem usando desenhos e documentos para fornecer informações sobre seus produtos.  Mesmo quando projetam utilizando modelos, estes modelos não são inteligentes. São apenas maquetes eletrônicas.

Antes de abordarmos o nosso tema, precisamos alinhar alguns conceitos.

O que é um modelo inteligente e em que se difere da maquete eletrônica e do desenho eletrônico?

Desenho eletrônico

O desenho eletrônico é a automação de recursos de desenho que trás inúmeras facilidades na sua produção e edição.

Desenho eletrônico no AutoCAD

Maquete eletrônica

A maquete eletrônica é um modelo tridimensional cujas formas, dimensões e aparências procuram retratar o mundo real.

Maquete Eletrônica em Projeto Arquitetônico

Modelo Inteligente

O modelo inteligente pode ser 2D ou 3D. Ele visa criar em um ambiente virtual todas as situações e soluções de projeto e validá-las antes de se tornarem realidade.

O modelo inteligente 3D, além das formas, dimensões e aparências que retratam o mundo real, possui diversas propriedades agregadas que o torna capaz de produzir, através de extrações de dados, todas as informações necessárias e suficientes para gerar os desenhos e documentos de um projeto. Esta tecnologia de modelo inteligente é também conhecida como BIM (Building Information Modelling)

Projeto BIM

Quando decidimos utilizar um modelo inteligente para criarmos e desenvolvermos uma solução, o que muda na maneira que estamos acostumados a fazer projeto?

A principal mudança que ocorre é que na forma convencional de se fazer projeto, a coisa mais importante é o desenho e o documento.

Todas as ações giram em torno da geração destes desenhos e documentos, porque eles são o ÚNICO instrumento, durante o desenvolvimento do projeto, capaz de trazer compreensão das soluções que estão sendo adotadas no projeto.

projeto

Com o emprego do modelo inteligente, a coisa mais importante é a informação. Todas as ações devem girar em torno das informações que precisam estar agregadas aos fluxogramas e diagramas eletrônicos e modelos virtuais.  Isto porque são estas informações que serão utilizadas nas extrações de dados e que se tornarão desenhos e documentos oficiais do projeto.

O modelo inteligente torna-se então o principal instrumento, durante o desenvolvimento do projeto, para a compreensão das soluções que estão sendo adotadas dispensando uma grande parte dos documentos impressos durante essa fase.

Os documentos conforme estamos acostumados, vão continuar existindo, porém serão meramente um “output” ou impressão do conjunto de informações contidas nos fluxogramas e diagramas eletrônicos e modelos inteligentes.

Quais são os principais impactos desta mudança e em que ela afeta o nosso dia a dia?

O principal impacto está no foco da nossa atenção durante o desenvolvimento do projeto. Os fluxogramas e diagramas eletrônicos e os modelos inteligentes passam a ser o nosso principal alvo de análise e validação das soluções de engenharia que estão sendo adotadas no projeto.

Os desenhos e documentos de papel, no primeiro momento, devem servir apenas para complementar e confirmar as informações que deverão estar presentes nos fluxogramas e diagramas eletrônicos e nos modelos inteligentes.

Os documentos de papel não devem, de forma alguma, ser o principal instrumento de análise e validação das soluções de engenharia durante o desenvolvimento do projeto.

No final, e apenas no final, os desenhos e documentos de projeto serão gerados e utilizados para fabricação e/ou execução da obra.

Outro impacto significativo é em relação ao critério de medição e remuneração da engenharia.

Na forma convencional de se desenvolver a engenharia, o critério normalmente adotado é o do A1 Equivalente, ou seja, mede-se e remunera-se a engenharia pela quantidade de desenhos e documentos gerados durante um período.

Projeto e trena

Este critério necessariamente precisa ser revisto de maneira a remunerar de forma justa os esforços de engenharia para agregar as informações aos fluxogramas e diagramas eletrônicos e modelos inteligentes.

Isto porque os desenhos e os documentos em papel conforme estamos acostumados, serão gerados somente no final do desenvolvimento do projeto e quando todos os problemas já tiverem sido solucionados no ambiente virtual.

O critério de medição não pode de forma alguma induzir a engenharia a executar as atividades de forma apressada ou desatenta, apenas por causa da forma de remuneração, comprometendo assim a qualidade do serviço que está sendo executado.

 

 

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